[Logica-l] RES: religião, ciência e política --- sem lógica

Arthur Buchsbaum arthurrovabu-logica em yahoo.com.br
Segunda Setembro 15 02:09:35 BRT 2008


Desidério: A ciência, seja ocidental ou não (e admitindo que tal coisa faz
realmente sentido, coisa que não faz), não merece qualquer respeito. Pelo
contrário, só há ciência, quando não há respeito. Há ciência quando há
crítica aberta, discussão desassombrada e...

 

Arthur: Até aqui estou basicamente de acordo.

 

Desidério: ...quando não se aceita a ideia evidentemente falsa de que
algumas pessoas têm um acesso privilegiado à verdade e que por isso merecem
um respeitoso e reverente silêncio crítico.

 

Arthur: Acredito que algumas pessoas são dotadas de uma sabedoria e/ou
inteligência excepcionais. Um exemplo bem conhecido é o matemático hindu
Ramanujan ( <http://en.wikipedia.org/wiki/Srinivasa_Ramanujan>
http://en.wikipedia.org/wiki/Srinivasa_Ramanujan), quanto a uma inteligência
ímpar para a matemática. Exemplos recentes de pessoas dotadas de uma
sabedoria e grau espiritual incomum: Ramana Maharshi (
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramana_Maharshi>
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramana_Maharshi), Krishnamurti (
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Krishnamurti>
http://pt.wikipedia.org/wiki/Krishnamurti), Bahá'u'lláh (
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Bahá'u'lláh>
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bahá'u'lláh).  Existem pois pessoas
super-dotadas, de uma sabedoria ímpar, que merecem ser escutadas, pois muito
poderíamos aprender com as mesmas. Isto não implica em aceitar nada sem um
exame de foro íntimo, nem tampouco na adoção de quaisquer dogmas.

 

Desidério: Fazer parar o pensamento é o que fazem as tradições sapienciais,
as religiões, as atitudes que gostam de se apresentar como epistemicamente
tolerantes, mas que são de facto epistemicamente totalitárias. Tudo nestas
práticas foi cuidadosamente concebido para fazer parar a crítica, o
pensamento, a pergunta incómoda, a interrogação desassombrada. Isto
consegue-se relativizando tudo menos o que se quer introduzir como Verdade
insusceptível de ser posta em causa. Põe-se em causa que dois mais dois
sejam quatro, mas não que uma cantilena cantada à beira de um rio possa
ajudar a purificar a água, ou que nas tripas de um porco se encontra, se
olharmos bem, a chave da compreensão do futuro.

 

Arthur: O pensamento e o raciocínio são apenas uma das ferramentas
cognitivas, entre outras. Existem outras formas de cognição que podem ser
ainda muito mais poderosas, tais como a intuição. Dizem que pela intuição
Einstein apreendeu de forma quase instantânea as idéias da Relatividade. Ou
que Kekulé ( <http://pt.wikipedia.org/wiki/Kekulé>
http://pt.wikipedia.org/wiki/Kekulé) apreendeu fórmulas da química orgânica.
Para que algo sublime como a intuição se manifeste é preciso um estado de
silêncio interno, o que implica em parar o pensamento. Isto não tem nada a
ver com dogmas ou totalitarismo, é algo bem diferente. Eu mesmo percebi
muitas idéias de Lógica de uma forma quase instantânea quando estava em
silêncio, portanto sem pensamentos.

 

Desidério: Não é talvez fácil compreender o que é a ciência precisamente
porque infelizmente a maior parte das universidades, sobretudo as menos
boas, transmitem a ciência aos estudantes como quem recita salmos na missa
sem perceber bem o que está a dizer. Mas nunca devemos confundir os maus
ensinos da ciência com o que permitiu e permite aos cientistas uma
compreensão muitíssimo mais profunda, rigorosa e precisa do que alguma vez
foi possível em qualquer tradição sapiencial.

 

Arthur: Mesmo que a ciência de origem européia seja bem ensinada nas escolas
e universidades, isto não resolve o problema da educação, pois conduz muitos
dos estudantes a uma visão preconceituosa e unilateral do que seja ciência,
pois há várias outras formas válidas que as universidades e escolas públicas
ainda não abrigam. Por exemplo: Acupuntura, Reiki, Cromoterapia, etc.

 

Desidério: Acresce que acertar na verdade por acaso não é relevante para se
poder dizer que uma dada metodologia funciona. A agricultura empírica teve
de acertar mais ou menos por acaso, pois de contrário os seres humanos
ter-se-iam extinguido. Mas acertar por acaso é muito diferente de saber
justificar adequadamente o que acerta. E mais diferente ainda é a atitude de
estar sempre aberto a refutar as justificações que pensávamos que
funcionavam. Esta abertura só é possível quando se recusa a ideia de que há
pessoas, textos ou tradições que têm um acesso privilegiado à verdade. Não
há tal coisa.

 

Arthur: Em todos os campos do conhecimento existem pessoas super-dotadas,
como é bem conhecido. E existem pessoas tão super-dotadas que muitos chamam
de sábios. Elas merecem ser ouvidas, a  fim de que não tenhamos que ficar
“reinventando a roda” o tempo todo.

 

Desidério:  Somos todos falíveis e cognitivamente mais ou menos iguais, e
tudo o que podemos fazer é avaliar criticamente todas as ideias, com cuidado
e imparcialidade, sem dogmatismos e sem sonhar alto. Na verdade, quanto mais
uma ideia é agradável emocionalmente, religiosamente, espiritualmente ou
seja como for, mais devemos precavermo-nos contra a ideia de que estamos a
sonhar alto, encontrando nas coisas o que antes lá pusemos porque queríamos
que lá estivesse só porque nos faz felizes. Procurar a verdade das coisas é
um acto de pressupõe uma superação do desejo infantil de fazer a realidade
ser exactamente o que gostaríamos que fosse. 

 

Arthur: Nem todos são igualmente falíveis, se reconhecemos a existência de
pessoas realmente excepcionais. Estar aberto a outras formas de cognição que
não apenas o pensamento e o raciocínio não implica em adesão a quaisquer
dogmas, apenas amplia a capacidade de aprender e de apreender novas idéias e
práticas.

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